Caros nutricionistas, por favor...

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Querido colega, como vai?

Posso roubar um pouquinho do seu tempo? Me dá essa felicidade?

Tenho a mais absoluta consciência de que não somos uma classe unida. Enquanto classe profissional, na conquista do nosso espaço e dos nossos direitos, não temos coesão, infelizmente. Mas, felizmente, enquanto cientistas da área da nutrição geramos controvérsias e isso é muito bom, acreditem. A controvérsia é um dos impulsos para curiosidade e a busca de novos conhecimentos, que de maneira simples é a ciência que tanto citamos em nossos discursos.

A vida é polifônica, as pessoas são diferentes (metabólica e culturalmente) e a ciência tem o dever de acompanhar!

Tem nutricionista natureba, nutricionista fitness e nutricionista que prefere a facilidade da industrialização. Aquele que prescreve calculadinho, o que prescreve de acordo com o registro do paciente, e o que nem dieta prescreve. O que gosta de dar receitas, o que estrutura bons substitutos e o que quer ver o paciente/cliente livre da sua "folha de dieta". Tem aquele que prescreve “goji berry “e chá verde, o que usa "farinha seca barriga" e o que quer mesmo é ver comida no prato.

E, sabe? Tudo bem... Eu queria aqui lhe pedir que aceite a diversidade. Mesmo. A aceite de coração aberto.

Note que, aceitá-la não significa render-se à pressão externa. Não significa mudar seu pensamento e sua conduta, muito pelo contrário. Significa bater menos boca e estudar mais. Estudar para que seu ponto de vista fique mais claro. Esta clareza, por sua vez, fortalece sua prática, sua conduta e, no limite, sua "personalidade profissional" (com licença da invenção do termo aqui).

Creio, na minha humilde opinião que, independentemente do caminho, o mais importante é a alma, o que sustenta sua conduta e a consciência de que há responsabilidade nela. Responsabilidade de profissional da saúde, cujo dever mais solene é (desculpe o óbvio) ela mesma.

O conhecimento legítimo pode se materializar de diversas formas. Aceite.

Se a informação é capaz de ser orientada com segurança - livre de achismos, modismos e falsas promessas - ótimo! Que bem a faça!

Por outro lado, mantenha sempre em mente que as ciências da nutrição federam áreas do conhecimento muito próximas do cotidiano, “no alcance das mãos das pessoas” e que, enquanto promessa, dá muito dinheiro. Então, não abra a porta para as facilidades, não se engane como leigo, não venda sua conduta a um resultado-promessa, tão pouco à pressão-do-resultado que tantas vezes nos pedem. Esteja em paz com sua conduta.

Sinto, e talvez você concorde comigo, que parece que sempre queremos "brigar" para ver quem está mais certo... Quase como uma disputa do saber.

Gente boa, não é por aí: cada um tem o nutricionista que merece, que teve empatia, que rolou uma aproximação, que gostou, etcetera e tal. Será que não tenho um pontinho de coerência aqui?

Mais do que falta de cientificismo, noto que falta educação, ética e, muitas vezes, bom senso! (A ciência que é próxima à vida, precisa disso!)

Todos têm o direito de defender seus pensamentos. Como somos profissionais (graduados, especialistas, mestres, doutores...), deveríamos fazer uso do conhecimento para isso. Não é à toa que tanto se estuda, não é mesmo?

Muito obrigada e bom trabalho!

Bia em 12 de março de 2015.

Beatriz Pgananelli Van Sebroeck - Nutriticionista, Mestre em Processos midiáticos: jornalismo e entretenimento (Fundação Casper Libero)

Caros nutricionistas, por favor...
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