Arnaldo Jabor - "A revolução das periguetes" - 05/08/2014

  • abundancia

Ontem recebi o envelope gordo da minha amiga e companheira de caminhadas profssionais e pessoais pelo mundo afora e pelo mundo da interface das ciências.

Dolores é pediatra, nutrologa, sociologa, antropologa, terapeuta...fez pos doutorado em Roma, em New Orleans; um segundo mestrado na Tavistock em Londres...e, uma amigona, daquelas que passam a festa na cozinha cuidando dos detalhes que você esqueceu no dia do primeiro aniversario do seu filho, por exemplo. E como amiga/colega de profissão, ela sempre me envia envelopes gordos com o que sai de "apetitoso" na midia inglesa e/ou carioca.

Bom, neste envelope gordo tinha o texto do Arnaldo Jabor, de quem a maneira de escrever me agrada. Nesta crônica, "Revolução das periguetes", Arnaldo Jabor descreve muito bem a sociedade brasileira atual,  "sexualisada", fincada, baseada, pautada, estimulada, entorpecida, anestesiada...pelo sexo.  (Pequeno parênteses: quando as crianças eram pequenas me incomodava a quantidade de babas, a distância dos pais perante seus filhos que passavam o dia, as vezes a noite e para muitos os finais de semana com uma moça que nem da familia era mas os educava, os preenchia de um carinho e uma atenção negociada, mercantilizada. Me achava uma intrusa no meio das babas e com as minhas amigas tinha medo de falar de livros infantis, meus filhos pareciam uns "bolhas", sempre com livros nas mãos; eles não tinham DS, nem joguinhos eletrônicos. No ano passado, ja com as crianças adolescentes ou pré adolescentes, me choquei com a vulgaridade dos adolescentes, a pornografia das "meninas de familia", o descuido e a falta de um minimo pudor, aquele que protege auto estima das meninas. E é claro, fui apontada como careta, babaca e ridicula, inclusive por membros da familia. Aqui na região de Paris, o sexo existe, faz parte, mas eu nao sinto a midia e as pessoas tão exclusivamente sexuadas).

 

E o que isso tem a ver com a alimentação? O que isso tem a ver com os alimentos e principalmente com o mercado de alimentos?

 

Tem por que nesta "era" do culto ao corpo, da medicalização da alimentação, da ditadura da dieta e do corpo sarado, da não aceitação do quadril mais arredondado, das coxas mais finas, dos seios mais espalhados, enfim, da diferença; reforçar que todos precisam de um unico alimento, que todos têm que ter um IMC decidido pela OMS como parâmetro epidemiologico, incentivar o corpo escultural é o mesmo que incentivar "O prazer obrigatorio no mercado".

 

Incentivar o consumo de nutrientes e fingir que levamos em conta a nossa historia, a nossa cultura, nossos comportamentos ancestrais, a inteligência da "mãe-terra" que ensinou os franceses à preparem os queijos para estocar o leite, os esquimos a comerem focas, ofereceu frutas que permitem hidratar os que vivem nos tropicos, etc. ( e a lista é longa!!! E cada qual tem uma explicação quimica, bioquimica e nutricional) é compactuar com o que escreveu Arnaldo Jabor "A pessoa não tem mais um corpo; o corpo é que tem uma pessoa, fragil, tênue, morando dentro dele." 

 

Que triste! Nossos netos e bisnetos vão virar maquinas?

Maquinas são muito mais facil manipulaveis, lembremo-nos!

 

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Dra. Juliana T. Grazini dos Santos - Paris, 25 de setembro de 2014. (Com teclado francês, sem acentos graficos lusofonos. Perceberam, espero!)

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