"Malbouffe" e obesidade : reflexões alheias.

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Que a população menos privilegiada é a mais "obesa" não é mais novidade; Que o modo de comer é também uma questão de cultura, estado emocional, condições econômicas, nivel intelectual, etc. é conhecimento adquirido, embora muitos especialistas ainda não saibam admnistrar as questões humanas da alimentação; Que os obesos vivem num ambiente obesogêncio também ja se sabe.

O que não se sabe ainda é como equilibrar interesses politicos, econômicos, lobbys "multiplos", meios de comunicação corrompidos (ou melhor adequadamente inseridos no esquema econômico  neo-liberal ) e a saude de populações.

Aqui quando digo saude entendo a "velha" definição da OMS : "completo bem estar fisico, emocional e social".

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Seguem algumas reflexões alheias que quero compartilhar, acima de tudo porque concordo.

 

Mudar de comportamento alimentar é mais facil "para as pessoas que têm o controle de suas vidas e se encontram em bom estado emocional", por isso " que a diminuição da inegalidade social e econômica contribui para enfrentar e epidemia da obesidade". (RichardWilkinson e Kate Pickett, epidemiologistas britânicos, em Porque  a igualdade é melhor pra todos/Pourquoi l'égalité est meilleure pour tous - Ed.Les Petits Matins/Institut Veblen, 2013, 504 p.)

Sim, porque não saber o dia de amanhã, não poder fazer projetos, não saber se o "barraco" vai desabar no meio da noite, não saber se o filho volta vivo pra casa, se ele vai decidir entre ter uma vida "honesta" e viver a mesma galera que os pais ou ganhar dinheiro  facil, não facilita a estabilidade emocional e por conseguinte a escolha de alimentos "saudaveis".

 

" ... quando não se pode oferecer uma playstation ou férias aos seus filhos, proibir a batata frita de saquinho é vivenciado como uma frustração a mais" (Samira Guedouchi-Beaudouin, responsavel do serviço saude da prefeitura de Saint-Denis, uma cidade periférica de Paris, cidade da famosa Catedral onde estão enterrados muitos reis fraceses; uma cidade com um contexto social particular, muita pobreza, muitos imigrantes...)

 

A comida sempre foi uma recompensa, um momento de prazer e estas mães e pais em situações socias e econômicas complicadas, az vezes podem oferecer somente um pacote de batatas de saquinho, por que é legal, porque é "cool", porque fruta e verdura nao é da "moda", não é tão legal, não é tão "cool". Me lembro de quando eu visitava favelas em São Paulo e que muitas das familias preferiam comprar mamão em vez de banana porque as moças da novela comiam mamão e porque nas revistas mamão é que era bom para a pele. Ops! Aqui não falamos de alimento industrializado.

 

"A alimentação barata custa na realidade muito mais caro; leite mais barato nos obrigada a ter uma produção industrial que por sua vez nos obriga a gastar muito mais para tratar a agua consumida por este tipo de produção... "(Mar Dufumier em 50 idées reçues sur l'alimentation et l'agriculture, Allary Editions, 2014, 256 p.)

 

"Daqui a pouco antes de sentarmo-nos à mesa, não diremos mais bom apetite, mas sim boa sorte" (Pierre Rabhi, filosofo, agricultor, escrito, biologo...de origem argeliana).

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Eu, a unica coisa que me faria feliz (ideologia, utopia?) seria um pouco mais de consciência, menos ingenuidade, mais lucidez, menos ganância, mais empatia, menos ego e mais humanidade da parte dos especialistas e jornalistas.

 

Prof. Dr. Juliana T. Grazini dos Santos (Paris, 02 de junho de 2014) no teclado francês, acentos graficos da lingua portuguesa complicados...

 

PS - Obrigada Télérama 3345, de 19/02/2014, paginas 38 e 39.

PPS - Ilustração Pénélope Bagieu, Télérama 3345, de 19/02/2014, pagina 39.

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